Instalação de centro de energia das ondas em Viana do Castelo em consulta pública

Instalação de centro de energia das ondas em Viana do Castelo em consulta pública

Escrito em 31/07/2020
Rádio Alto Minho

Em causa está um investimento de 16 milhões de euros da tecnológica CorPower Ocean na criação de um centro de Investigação e Desenvolvimento (I&D) naquele porto de mar, para desenvolver conversores de energia das ondas.

Segundo o edital publicado em Diário a República, e hoje consultado pela agência Lusa, a Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL) iniciou o período de consulta pública da “atribuição de título de utilização privativa do Domínio Público Hídrico (DPH) para instalação de um hangar amovível, com vista à produção de peças em compósito para conversores de energia das ondas”.

Os interessados dispõem de 30 dias úteis para “apresentar objeções” à atribuição daquele título.

No início do mês, a APDL explicou que a “fábrica de produção, montagem, manutenção e reparação de conversores de energia das ondas” vai ficar instalada no porto de mar, pelo menos até ao ano de 2024, estando a expansão para instalações definitivas, em Viana do Castelo, planeada para o final do projeto de demonstração a instalar ao largo da praia da Aguçadoura, na Póvoa de Varzim, distrito do Porto”.

“A tecnologia desenvolvida pela CorPower diferencia-se das demais por obter cinco vezes mais energia por tonelada de dispositivo e por possuir um modo de sobrevivência único, que oferece robustez nas mais exigentes condições marítimas, entre outras inovações que se afiguram disruptivas face à tecnologia existente”, explica na nota a APDL.

Segundo a APDL, “o porto de Viana do Castelo permite o estabelecimento de uma base de operações com características únicas, onde se poderão desenvolver todas as atividades afetas às fases finais de validação da tecnologia proposta pela CorPower”.

O projeto, considerado “pioneiro” e com a designação HiWave-5, “é apoiado por investidores privados e públicos europeus, designadamente o Equity Funding, Swedish Energy Agency, Portugal Compete 2020, e EU Grants e está em linha com o plano do Governo para o desenvolvimento da energia renovável do país, um setor que poderá gerar 254 milhões de euros em investimentos, 280 milhões de euros em valor bruto acrescentado e criar 1500 novos postos de trabalho”, indica.

A CorPower, empresa líder em tecnologia de energia das ondas, justificou a escolha de Viana do Castelo para a instalação do centro I&D “com um sólido conjunto de engenheiros de setores como eólicas marítimas, fabrico de compósitos e estaleiros navais, universidades de alto nível e infraestrutura industrial, incluindo portos e ligação à rede”.

Segundo a nota, “o trabalho da CorPower Ocean complementa a estratégia industrial portuguesa para as energias renováveis oceânicas, concebida para criar um ‘cluster’ de exportação industrial competitivo e inovador para as energias renováveis oceânicas”.

“Recentemente, a operadora de rede REN instalou um novo cabo ‘offshore’ ao serviço de eólicas flutuantes e existe um interesse comercial significativo por parte de empresas de serviços públicos e promotores de projetos para o desenvolvimento do projeto de ondas da próxima geração”, acrescenta.

Em causa está o Windfloat Atlantic(WFA), um projeto de uma central eólica ‘offshore’ (no mar), em Viana do Castelo, orçado em 125 milhões de euros, coordenado pela EDP, através da EDP Renováveis, e que integra o parceiro tecnológico Principle Power, a Repsol, a capital de risco Portugal Ventures e a metalúrgica A. Silva Matos.

Segundo a EDP, aquele parque eólico flutuante, o primeiro da Europa, situado 20 quilómetros ao largo de Viana do Castelo, já começou a gerar energia e vai abastecer, por ano, cerca de 60 mil consumidores, poupando quase 1,1 milhões de toneladas de CO2.

Para a CorPower Ocean, “a energia das ondas pode desempenhar um papel fundamental na transição de Portugal para um país 100% de energia renovável, oferecendo uma plataforma para impulsionar as exportações portuguesas e as oportunidades de investimento a longo prazo para as cadeias de abastecimento locais”.